A award season está aí. O Globo de Ouro, um dos mais importantes prêmios de cinema e televisão, acontece neste domingo. No próximo é o SAG, a premiação do Sindicato dos Atores e, quando você se der conta, já chegou 2 de fevereiro e a Academia anuncia os felizardos indicados à 82ª edição do Oscar.
Como o Globo de Ouro é considerado uma espécie de prévia do Oscar, não é à toa que ele dê no que falar. Esse ano, a escalação de Ricky Gervais para apresentar a cerimônia de entrega das estatuetas (que até ano passado não tinha um, digamos, mestre de cerimônia), também rendeu algumas manchetes. Cada um faz o que pode. O Oscar, por exemplo, terá dez filmes concorrendo ao prêmio maior, a partir deste ano. A esperança é de que filmes com bilheterias mais expressivas, como Up – Altas Aventuras e Julie & Julia, entrem para a disputa e atraiam mais telespectadores. Talvez os dois apresentadores (Steve Martin e Alec Baldwin) também cooperem neste sentido.
Há quem já faça apostas, mas nada é certo para este domingo. Nada mesmo. Se há um lugar onde tudo é possível, este lugar se chama Hollywood. A Heidi Klum pode dar as caras muitíssimo mal vestida, Gervais pode não ser engraçado e (pasme) Mad Men pode não ser eleita a melhor série, só pra variar. A última vez que pensei que o resultado era óbvio (de que Brokeback Mountain ganharia o Oscar de Melhor Filme), veio o balde de água fria. Foi então que aprendi que nada é definitivo na terra dos astros. Tudo depende de hype, influência e poder, algo que nenhum talento ou filme brilhante pode comprar, na maioria dos casos.
Se as previsões nem sempre dão certo, ainda há algo que me motiva e não me deixa dormir na frente da TV: o favorito. Antes de cada grande premiação, procuro assistir todos os filmes indicados (feito que nunca consegui, por sinal). Conhecendo os competidores, é natural escolher aquele que gosto mais, o que deixa a noite muito mais divertida. Portanto, gostaria de compartilhar com quem ainda não teve a oportunidade de conferir a maioria dos indicados por quem eu torço nas principais categorias. Não que a minha opinião importe, mas pode ser que você fique mais disposto (a) a conferir este ou aquele filme, que são muito bons, mas passariam despercebidos. Que tal?
Melhor Filme – Drama: Avatar. Aventura, romance, tecnologia impecável, trama contagiante. Não dá pra não gostar de Avatar. Nenhum dos outros indicados nesta categoria me fez sentir que havia assistido a um espetáculo cinematográfico – não como Avatar.
Outros indicados: Guerra ao Terror, Bastardos Inglórios, Preciosa, Amor Sem Escalas
Melhor Filme – Musical ou Comédia: (500) Dias Com Ela. Dizem que Nine é um espetáculo. Não vi, mas nem precisaria. (500) Dias… foi o filme mais apaixonante do ano. Ao fim, você não sabe se gosta mais dos personagens, tão lindamente construídos, da trilha sonora ou da imprevisibilidade do roteiro. É a comédia romântica mais realista e ao mesmo tempo adorável que assisti em muito tempo.
Outros indicados: Se Beber Não Case, It’s Complicated, Julie & Julia, Nine

Melhor Ator – Drama: George Clooney. Não vi Crazy Heart (como gostaria!) ou A Single Man. Tobey Maguire é talentoso, mas faltou algo em seu Sam de Entre Irmãos. Morgan Freeman saiu de sua zona de conforto (ele não parece interpretar sempre o mesmo personagem?) e fez Mandela, mas e daí? O filme de Clint é falho e na verdade, tudo que Freeman faz é um sotaque. Clooney, então, se sobressai. Ele é esperto o suficiente pra escolher papéis que consegue interpretar com certa facilidade – contemporâneos, que esbanjam charme. E dá certo.
Outros indicados: Colin Firth (A Single Man), Morgan Freeman (Invictus), Jeff Bridges (Crazy Heart), Tobey Maguire (Entre Irmãos)
Melhor Atriz - Drama: Carey Mulligan. Se ao final de Educação você não achar a Jenny de Carey Mulligan adorável, interne-se. E nem é esse seu maior objetivo. É mostrar uma jovem na Inglaterra dos anos 60 descobrindo a vida, crescendo, amadurecendo. Carey vai além, e constrói uma personagem frágil, vulnerável, mas muito rica. Não vi The Last Station, mas não tenho dúvidas de que Helen Mirren mereça a indicação.
Outros indicados: Emily Blunt (A Jovem Vitória), Sandra Bullock (O Lado Cego), Helen Mirren (The Last Station), Gabourey ‘Gabby’ Sidibe (Preciosa)

Melhor Ator Coadjuvante: Christoph Waltz. Eu não sei você, mas eu não conhecia o Chris (sabe como é, somos íntimos), mas, mesmo com o elenco ótimo que povoa Bastardos Inglórios, ele é o que se destaca. Fala fluentemente em três ou quatro línguas, sabe ser irritante e amedrontar ao mesmo tempo. Não é o seu típico vilão, e é disso que faz dele tão brilhante.
Outros indicados: Matt Damon (Invictus), Woody Harrelson (The Messenger), Christopher Plummer (The Last Station), Stanley Tucci (Um Olhar do Paraíso)
Melhor Atriz Coadjuvante: Mo’Nique. A principal é Gabourey Sidibe, mas é Mo’Nique se se sobressai de verdade. A força de sua performance me surpreendeu. Talvez o filme não mereça outros prêmios, mas este é claramente seu. E pensar que eu vi o filme só por causa do Lenny Kravitz. Anna Kendrick, por outro lado, nem deveria estar nessa categoria – ela não faz nada demais em Up in the Air.
Outros indicados: Penélope Cruz (Nine), Vera Farmiga (Amor Sem Escalas), Anna Kendrick (Amor Sem Escalas), Julianne Moore (A Single Man).
Melhor Diretor: Jason Reitman. Seria muito fácil dizer ‘James Cameron’, só pelo brilhantismo no uso de tecnologias tão promissoras. Mas Reitman, que já encantou com Obrigado por Fumar e Juno, voltou com um filme coeso, conciso, que te faz se encantar por Ryan Bingham mesmo que a princípio ele não tenha nada a oferecer. E, acredite, o crédito não é todo de George Clooney.
Outros indicados: Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror), James Cameron (Avatar), Clint Eastwood (Invictus), Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios)
Outros queridinhos: Up!, Distrito 9, The Messenger, Abraços Partidos.
Melhor Série – Drama: Dexter. Assisto 4 das 5 indicadas, e não tenho a menor dúvida de que Dexter foi a melhor em 2009. Foi brilhante, genial a quarta temporada da série. Se recuperando de uma terceira temporada morna, a série do serial killer de Miami foi tensa na medida certa, inovadora, surpreendente. A dose de adrenalina em cada episódio era altíssima. O mérito, pra ser justa, é parte de John Lithgow, o melhor ator convidado que vi em muito tempo.
Outras indicadas: Big Love, House M.D., Mad Men, True Blood
Melhor Série – Musical ou Comédia: Modern Family. Não assisto Entourage nem Glee. Gosto muito de The Office e 30 Rock, mas em 2009 foi mais do mesmo. Nem vejo tudo isso que as pessoas veem em Modern Family, mas é inegavelmente divertida. É justamente o que eu procurava em uma comédia.
Outras indicadas: Glee, Entourage, The Office, 30 Rock

Melhor Ator – Drama: Michael C. Hall. Hall não melhorou de uma temporada pra outra: ele sempre foi brilhante. Pra fugir do lugar comum e premiar Hugh Laurie (que eu adoro, mas ele já ganhou algumas vezes!), daria a estatueta pro Mike. Ele merece desde Six Feet Under, já é sua quarta indicação por Dexter e nada até agora. Só uma pergunta: cadê Bryan Cranston?
Outros indicados: Simon Baker (The Mentalist), Jon Hamm (Mad Men), Hugh Laurie (House), Bill Paxton (Big Love)
Melhor Atriz – Drama: January Jones. A Betty Draper de January Jones teve poucos grandes momentos, daqueles que rendem prêmios. Mas sua personagem tem uma sutileza marcante, que não precisa gritar ou chorar pra se destacar. Além do mais, vejo True Blood mas não acho Anna Paquin tão boa assim, e não assisto as outras séries.
Outras indicadas: Glenn Close (Damages), Julianna Margulies (The Good Wife), Anna Paquin (True Blood), Kyra Sedgewick (The Closer)
Melhor Ator – Musical ou Comédia: Steve Carell. Michael Scott é o tipo de personagem que você acha que não consegue ser mais estúpido, e então ele faz a coisa mais estúpida possível. E Steve consegue fazer isso em quase todo episódio, sem escrachar, respeitando o “realismo” do personagem. Cá pra nós, Alec Baldwin já ganhou prêmios demais por uma performance que não evolui tanto assim.
Outros indicados: Alec Baldwin (30 Rock), David Duchovny (Californication), Thomas Jane (Hung), Matthew Morrison (Glee)

Melhor Atriz – Musical ou Comédia: Edie Falco. Só vejo Nurse Jackie e 30 Rock, e seria muito clichê dar o prêmio à Tina Fey de novo! A última palavra que usaria para descrever Jackie seria ‘engraçada’, mas pelo menos, ao estar nessa categoria, Edie Falco não tem de enfrentar uma Glenn Close ou uma Kyra Sedgewick da vida. A verdade é que Falco está impecável como a enfermeira adúltera e viciada em pílulas. Comparem com House o quanto quiserem, isso não muda o fato de que Edie apresentou a melhor nova personagem da TV esse ano.
Outras indicadas: Toni Collette (United States of Tara), Tina Fey (30 Rock), Lea Michele (Glee), Courteney Cox (Cougar Town)
Foi um ano riquíssimo em filmes e séries. Tomara que 2010 seja ainda melhor. E que venha domingo!