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Receita para uma série de sucesso

22 ago

Não tenho orgulho em ser viciada em séries – mas também não escondo. A verdade é que há séries incríveis por aí, e se tivesse mais tempo, assistiria a todas que valem a pena. A TV americana tem verdadeiras joias e já atrai grandes atores de cinema.

Tenho notado um padrão entre algumas das melhores séries a que assisto e que tem me ajudado a escolher e priorizar melhor meu raro tempo livre. São características que tem ajudado a compor grandes clássicos da tevê.

Hank Moody, de Californication.

1) Personagens inescrupulosos.

Imperfeitos, todos os personagens são. Mas personagens que, de vez em sempre, são uns canalhas – estes sim são os preferidos.

Eles não fazem o mínimo esforço para que você goste deles. Pelo contrário, te dão motivos de sobra para odiá-los. No entanto, você não consegue, pois eles são também brilhantes e/ou adoráveis.

Onde encontrar: Breaking Bad, Californication, Dexter, House, Nurse Jackie.

2) Mulheres, fortes e falhas.

Foi época em que os homens dominavam o pedaço. Não só aumenta o número de séries protagonizadas por mulheres, como elas se destacam, inclusive, quando o personagem central é masculino. Elas são lindas, engraçadas, bem-sucedidas e fortes, mas, em alguns casos, são as falhas que fazem delas personagens incríveis.

Onde encontrar: 30 Rock, Brothers & Sisters, Lie to Me, Mad Men, Nurse Jackie, Weeds.

Don Draper, de Mad Men.

3) Passado misterioso.

A revelação do obscuro passado dos personagens centrais de algumas séries tem contribuído para gerar interesse em torno dessas pessoas que acreditamos conhecer tão bem.

O elemento surpresa é fundamental para manter o público interessado. Assim, passamos a compreender o porquê de algumas atitudes e acontecimentos recentes.

Onde encontrar: Californication, Dexter, Lie to Me, Mad Men.

4) Palavrões e sexo sem-vergonha.

Como o bom-mocismo sempre foi a via de regra das séries americanas, não era raro constatar, durante um episódio ou outro, que as pessoas simplesmente não falam daquele jeito. E não era necessário ser especialista no assunto para perceber que o sexo mostrado na tevê era, inclusive, monótono.

Parece que os canais perceberam que, com cenas de sexo mais cruas, não só mantinham a credibilidade intacta, como atraíam mais espectadores. Como as séries vão ao ar mais tarde, shit e fuck podem fazer parte do vocabulário dos personagens. Se são amplamente usadas na vida real, por que não na fictícia?

Onde encontrar: Bored to Death, Californication, Dexter, Mad Men, Nurse Jackie, Weeds.

5) Fora do centro.

É claro que a maioria das séries vai se passar ora em Los Angeles, ora em New York. -  7 das séries que assisto têm base na California e 4 se passam em NYC. E não é só pela beleza das cidades – é simplesmente mais fácil e prático filmar lá.

Porém, algumas das séries de maior destaque já não se baseiam nas cidades-padrão. Levando a trama para Albuquerque ou Washington, as cenas ganham novos ares e se tornam únicas.

Onde encontrar: Breaking Bad, House, Lie to Me, Weeds.

Os indicados e esnobados pelo Emmy

28 jul

Adoro premiações, e isso não é nenhuma novidade. Assisto todas – de música, cinema, tv, teatro – do red carpet à after party, se deixarem. O Emmy, considerado o Oscar da TV, abre a temporada de grandes premiações e eu faço de tudo pra não perder – até porque assisto um milhão de séries, né?

Esse ano não houve grandes surpresas nas indicações, anunciadas no último dia 8. Aliás, a premiação costuma ser bastante previsível, e os mesmos nomes acabam sendo chamados ao palco. No entanto, estarei à frente da TV em 29 de agosto, quando serão anunciados os ganhadores, com meu balde de pipoca, torcendo pelos meus favoritos – Mad Men, Breaking Bad, Nurse Jackie, Dexter, The Big Bang Theory, House, Modern Family.

Infelizmente, não dá para encaixar todas as excelentes performances vistas na TV (que supera o cinema em originalidade) em apenas seis vagas para cada categoria. E todos os anos ótimos atores ficam de fora do clube privado de indicados ao Emmy. Abaixo listo, então, quem ficou de fora e merecia, ao menos, essa menção honrosa.

Melhor Ator em Série de Drama
Tim Roth (Lie to Me)
Jensen Ackles (Supernatural)

Melhor Ator Coadjuvante em Série de Comédia
Ted Danson (Bored to Death)
Zach Galifianakis (Bored to Death)
Joshua Gomez (Chuck)
Paul Schulze (Nurse Jackie)
Justin Kirk (Weeds)
Ed Helms (The Office)

Mellhor Ator Coadjuvante em Série de Drama
Robert Sean Leonard (House)

Melhor Atriz em Série de Drama
Sally Field (Brothers & Sisters)

Melhor Atriz em Série de Comédia
Mary-Louise Parker (Weeds)

Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Drama
Rachel Griffiths (Brothers & Sisters)

Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Comédia
Merritt Wever (Nurse Jackie)
Anna Deavere Smith (Nurse Jackie)
Elizabeth Perkins (Weeds)

E pra você, quem foi injustiçado ao ser esquecido esse ano?

Adeus, Flash Forward

19 mai

Desde os 12 sou fascinada com Joseph Fiennes. Naquele ano, ele tinha o mundo nas mãos: astro do vencedor do Oscar de Melhor Filme, Shakespeare Apaixonado, lhe ofereceram um contrato para cinco filmes, garantindo uma carreira estável nos próximos anos. Joseph recusou, e foi viajar pra Índia.

O fato de você não conhecê-lo é proposital. Conhecido como “o irmão do Ralph Fiennes”, Joe preferiu os palcos à badalação de Hollywood. A estratégia até parecia boa, mas não rendeu muitos frutos. Ele acabou por fazer filmes de gosto duvidoso, com diretores de talento igualmente questionável.

Como fã do ator, às vezes tinha trabalho em explicar quem ele era. Quando Pretty/Handsome surgiu, então, fiquei superfeliz – poderia vê-lo toda semana! Porém, a série criada por Ryan Murphy, que seria sobre um médico casado e pai de família que tem por hobby se vestir de mulher, não passou do piloto (produzido por Brad Pitt), que parecia bastante promissor.

Ano passado, o sonho acabou virando realidade. Joe – quem diria – ia fazer uma série badalada! Quando FlashForward estreou, tinha tudo a seu favor: uma premissa interessantíssima, promessa de ser a nova Lost e a máquina da ABC. Só que não vingou. O primeiro episódio teve mais de 12,5 milhões de telespectadores nos EUA, mas a trama não prendeu tanto quanto esperavam, e a audiência caiu drasticamente.

E então a ABC fez o que sempre se faz quando os números são baixos: cancelou a série, sem dó nem piedade. Mesmo reconhecendo as falhas da trama, fiquei triste. FlashForward merecia uma segunda chance, mas acabou sofrendo com injustiças. Eis algumas:

  1. Disseram que o detetive Mark Benford (Fiennes) era chato. Ele não só era o personagem central, como bom agente, amigo e pai. Criticaram, inclusive, seu tom de voz, dizendo que era parecido com o do Batman. E daí?
  2. A saída de David S. Goyer, autor da história, em nada prejudicou a série, ao contrário do que foi especulado. “Agora é que desanda de vez”, diziam. A série acabou melhorando depois de sua saída.
  3. A audiência podia estar ruim, mas havia chance de recuperar os telespectadores perdidos. Era consenso: a história tinha voltado a ficar intrigante.
  4. A ABC cancelou a série, mas vai estrear outra com Michael Chiklis e Julie Benz, na qual interpretam pais que, após a queda de seu avião no rio Amazonas, ganham superpoderes. Dá pra entender?

Não adianta chorar o leite derramado. Estou acostumada a perder séries preferidas – elas vem e vão. O problema é que me acostumei também à dose semanal de Joe. Alguém aí topa uma maratona de filmes?

Sorria, você está sendo filmado

18 mai

Gravar um programa de TV tem um quê de esquisitice. Te iluminam de todos os lados, pedem para ficar em um certo ângulo e ler o texto. Nenhuma tarefa hercúlea, por sinal.

Difícil mesmo é saber o que fazer com as mãos. Se você tem o cue card, ótimo. Segure-o, sem tremer. Se está assentado, apoie as mãos nas pernas. Mas e se está em pé, sem microfone ou qualquer outro objeto para segurar? Se abaixa as mãos, fica reto, esquisito. Se as coloca na altura da cintura, como posicioná-las?

Vencida essa dificuldade – porque uma hora você terá de achar um lugar para as mãos – basta superar, agora, o medo de que sua boca se pareça com a do Boris Casoy. Mais cedo ou mais tarde, você terá de falar. Se gostarem do resultado, te mandam prosseguir. Se não, que volte atrás.

Sair do estúdio é a tarefa mais fácil. Se ver na TV é que é mesmo complicado. Atestar que não, sua boca não fica igual à do âncora da Band quando fala é um grande alívio. Inevitável, porém, é a análise crítica da performance. Pensar que você poderia não ter ficado jogando a franja, posicionado melhor as mãos ou dado ênfase em outra palavra é no mínimo natural.

Ontem mostrei à minha madrinha a primeira gravação que fiz para o Estácio Ativa, programa da faculdade na TV local. Ela ficou tão emocionada e assustada que tive de voltar o primeiro bloco três vezes para que ela ouvisse eu falar. E é assim mesmo: se ver ou ver alguém que conhece na TV é meio que surreal. Mesmo que seja no Estácio Ativa.

O livro do Dr. House

13 abr

Outro dia, ao passar pelo caixa de uma papelaria, depositei o livro que carregava, “O Vendedor de Armas”, sobre o balcão para que pudesse pegar a carteira.

A atendente reagiu instantaneamente à contracapa do livro, que continha, propositalmente, uma foto do autor, Hugh Laurie.

___ Olha, um livro do Dr. House?
___ É sim.
___ Mas é sobre a série?
___ Não, foi o ator quem escreveu.
(cara de espanto)
___ É, ele é formado em Cambridge e tudo.
(outra cara de espanto)

É justificável. Atores não são famosos por sua inteligência. Até mesmo na livraria, eu, que ainda estava desempregada e escolhia com cuidado o único livro que poderia levar, confiei em Laurie – mas com um pé atrás.

O personagem central é Thomas Lang, um ex-militar que se mete em uma conspiração de proporções globais após ser oferecido dinheiro para matar alguém – e tentar avisá-lo que sua vida está em risco. O sarcasmo inerente faz de Lang um verdadeiro anti-herói, um James Bond às avessas, de quem ninguém se atreve a não gostar.

Valeu a pena correr o risco. Não é sempre que se lê uma ficção que te prende de verdade. Muitas delas são presunçosas, buscando o rótulo de “clássicas”.

O livro de Hugh Laurie não é um clássico que passará de geração em geração, mas garante boas risadas no melhor estilo britânico, além de entreter. E, no momento, não preciso de mais que isso.

O país do grande irmão

31 mar

Aqui em casa não é tradição ver Big Brother, apesar de uma vez ter comprado o pay-per-view da Sky. Vi uns 3 dias, enjoei, cancelei. Mas ontem até a minha mãe, que raramente vê TV, me chamava incessantemente para ver o “cara estranho” que era o favorito e o Cadu pegando a Ivete no colo. Larguei minha família de The Sims pra ver o anúncio do vencedor do BBB10 – pronto, falei.

Respeito quem gosta da atração, mas esse ano fiquei especialmente feliz com o final da temporada, simplesmente porque uso – e muito – o Twitter, e pelo menos três dos trending topics eram sobre o Big Brother, sempre. Mas agora que acabou, o ano pode começar oficialmente. Ou será que a gente espera o feriadão da semana santa?

Agora, um Big Brother que não acaba é esse:

Este, sim, é vergonhoso.

Os melhores episódios de Friends

10 mar

Imagino que você já tenha visto Friends, pelo menos uma vez na vida. A maioria já viu. Se não, também não vou explicar a série pra você ou contar a vida dos seis personagens – a Wikipedia está aí para isso. Parto do pressuposto de que todo mundo conhece Friends porque foi uma das sitcoms mais assistidas de todos os tempos, teve alguns dos melhores convidados especiais e levou gente como Jennifer Aniston ao estrelato.

Eu venho adiando este post há meses, porque sabia o quão difícil seria escolher os melhores episódios da série que marcou a minha vida. Abri todos os meus boxes, mas só coçava a cabeça, indecisa. Decidi “atacar” por temporada, escolhendo o melhor de cada, mas isso também não foi fácil. Cada temporada tem episódios consagrados, clássicos, mas também há aqueles que trazem as melhores lembranças. Portanto, não leve a mal as “menções honrosas” – há episódios que simplesmente não dá pra não citar. Veja se não é verdade:

1ª temporada, episódio 15: Aquele do “cara chapado”
Ross sai com Celia, do museu, que gosta de dirty talk – e ele não sabe bem o que dizer. Joey o ajuda. Chandler é promovido, mas pede demissão. Seu chefe o implora para voltar. Phoebe tem um amigo que vai abrir um restaurante e precisa de uma chef. Ela, é claro, indica Monica. Mas, quando o suposto amigo chega ao apartamento para provar a comida de Monica, ele está totalmente chapado.

Quote:
Phoebe: In the cab on the way over, Steve blazed up a doobie.
Rachel: What?
Phoebe: Smoked a joint. You know, lit a bone. Weed. Hemp. Ganja.
Rachel: Okay, okay. I’m with you, Cheech.

Menções Honrosas: Aquele do Blecaute, Aquele em que Rachel descobre

(mais…)

Gilmore Girls, só comendo!

5 mar

Gilmore Girls deixou saudades. Tanto, que ando reassistindo todas as temporadas com minha mãe (sim, é de propósito). Se você assistiu à série, sabe que quando mãe e filha, Lorelai e Rory, alugavam filmes, compravam uma quantidade considerável de balas, chocolate, biscoitos e a boa e velha pipoca. Eu e minha mãe temos o mesmo ritual: só assentamos em frente à TV quando já temos algo para comer. Comer antes não vale, comer depois também não.

Grande parte das cenas mostradas na série envolvia comida. Eram os jantares na casa dos avós, a cozinha da pousada, a lanchonete do Luke, a pizza pedida pelo telefone… Café, então, aparecia aos montes, o que me ajudou a desenvolver o hábito de assistir séries tomando um cafezinho (ou até dois).

Se você conseguia assistir à série sem comer ou sentir fome, parabéns. Este é apenas um atestado do quanto a série era boa: com público majoritariamente feminino, as telespectadoras arriscavam as calorias a mais porque sabiam que valia a pena. A Gilmore Girls, a única série que abriu meu apetite.

SHAMELESS PLUG: visitem meu novo blog, A Petropolitana, sobre minha adaptação à nova vida na cidade serrana!

Boa TV ainda existe

24 fev

A não ser que você tenha acesso à televisão de outros planetas, você deve concordar comigo: o padrão de qualidade na televisão só cai. E, infelizmente, isso não é nenhuma novidade. Vivemos na era dos reality shows, dos programas de auditório, do jornalismo espalhafatoso. O fenômeno é global – tanto que é provável que metade dos países do mundo tem versão própria do Big Brother.

Mas eu ainda sou uma entusiasta da TV – a americana. Não me leve a mal: ainda há conteúdo respeitável sendo produzido no Brasil. Eu diria que é uma questão de identificação, e quando eu estava no início do meu curso de inglês, cismei com David Letterman. E era uma cisma mesmo: não sosseguei enquanto não conseguia entender tudo que ele falava. Fui fiel ao Dave por muitos anos, mas, com a popularização do YouTube, descobri Jonathan Ross, Jimmy Kimmel, Conan O’Brien, Jay Leno… apresentadores de talk shows é o que não falta. E se há quem não gosta de ir para a cama sem o Jô, eu não gosto de passar uma semana sequer sem ver o que rola no mundo das entrevistas.

Foi procurando vídeos do James McAvoy que me deparei com Craig Ferguson. Procurava entrevistas do James porque havia acabado de assistir O Último Rei da Escócia e fiquei boquiaberta com aquele sotaque diferente que ele tinha! Por volta de 20 entrevistas depois, eu entendia cada vírgula que saía da boca dele, e me apaixonei perdidamente pelo sotaque. Ver não só um, mas dois escoceses conversando foi a minha ideia de céu linguistico. Nunca mais parei de ver o programa do Craig, que uma fã fielmente disponibiliza toda semana no YouTube.

Mas nem todo mundo dá esse crédito todo ao Craig Ferguson. O programa dele não é ao vivo, não tem banda e tem um cenário nada sofisticado. O apresentador tem um sotaque engraçado e vai ao ar bem tarde, já depois do Letterman. O próprio Ferguson brinca com o fato de que seus convidados podem falar o que quiserem no ar, já que não tem quase ninguém assistindo.

Craig não é só engraçado: ele é inteligente. Combina o status de apresentador de TV, comediante stand up, autor de dois livros, ator de TV e cinema e roteirista (de O Barato de Grace, que também estrela). Nada mau para quem, até um tempo atrás, era só um alcoólatra e drogado. Hoje Craig tem um público cativo (ainda que pequeno) porque é um dos poucos que conseguem tirar sarro de quem merece (leia-se John McCain, não Britney Spears) de forma inteligente, seja com esquetes ou piadas. E é o único apresentador com uma caneca de cobra.

Ontem, 23 de fevereiro, Craig fez um programa ainda mais diferente: dispensou a plateia e convidou Stephen Fry como seu único entrevistado. Os dois conversaram o programa todo, sobre temas variados, como sexo, redes sociais, poesia, a América e meio-ambiente. Fry também é um homem interessantíssimo: ator, escritor, blogueiro, twiteiro, documentarista, formado em Cambridge, ele sabe falar sobre tudo. O que algumas pessoas acharam chato, eu achei ousado, brilhante. Mesmo na era do 3D, acredito que entretenimento pode ser duas pessoas inteligentes conversando, mas infelizmente isso não é suficiente pra muita gente.

O que Ferguson fez ontem não é necessariamente inovador. Marília Gabriela e Charlie Rose o fazem há anos, rotineiramente, na televisão. Mas a atenção dada ao episódio de ontem se justifica por dois motivos: 1) conquistou mais respeito para o talk show host mais injustiçado da América e 2) provou que a qualidade de um programa de entrevistas não é proporcional às risadas da plateia.

Parabéns, Craig Ferguson, por desafiar o conceito de boa TV. Deus sabe que se fazia necessário.

Compartilho o pão, mas não o café

23 jan

Minha mãe me ensinou a partilhar, da mesma forma que sei que sua mãe também te ensinou: dividir lanches e brinquedos, por mais difícil que possa ter sido em nossas infâncias, ajudou a nos preparar para enfrentar o mundo, de certa forma.

Sou totalmente a favor da prática. Empresto DVDs, livros, perfume, acessórios. Ofereço biscoitos, salgadinhos, taça de vinho e até Ferrero Rocher. Há, porém, certas coisas incompartilháveis, por assim dizer. E não falo nem de roupas íntimas e escova de dentes – são óbvias demais. Falo mesmo daqueles itens que você valoriza tanto, que quer só pra si.

Você já deve ter ouvido falar do Joey, personagem comilão de Matt LeBlanc em Friends, por exemplo (a não ser que você viva em outro planeta ou seja vizinho de caverna do Osama). Ele é um cara muito legal, charmoso com as mulheres, amigo leal, mas há duas coisas que ele não compartilha, de jeito algum: comida e seu pinguim de pelúcia, Hugsy (cenas abaixo).

Há duas coisas que prefiro evitar compartilhar: café e milk shake de Ovomaltine do Bob’s. É que eu adoro café. E não é necessariamente um item em escassez aqui em casa. Quando ofereço café à minha mãe, ela diz: ‘Pode deixar, eu bebo com você’. Não haveria problema algum, mas todo café que está na minha xícara eu bebo, não importa quantas vezes você servir (também tenho essa relação com taças de vinho, não sei porquê!). Então, pra evitar que ela fique sem, levo uma xícara separada pra ela, só pra garantir. Além disso, sou fã incondicional de milk shake, mas o Ovomaltine não é apenas isso: ele está no território sagrado dos milk shakes. Delicioso, cremoso, refrescante… e caro. Quando tenho um só, divido com quem quer esteja me acompanhando. Mas se tiver mais dinheiro na carteira, prefiro comprar um para o acompanhante também, porque tomar esse milk shake, pra mim, é o ponto alto do dia. Se ele for só meu, melhor ainda.

Não dividir uma porção de batatas não faz de Joey uma pessoa ruim, e não é egoísmo. Cada um tem coisas suas, só suas. É uma forma de individualismo que já vem embutida na maioria de nós.

Não seja egoísta, nunca. Compartilhe quase sempre.