Portal Acontece em Petrópolis
5 jul
Fundei, com a ajuda de colegas de faculdade e trabalho, o mais novo portal de notícias sobre a Cidade Imperial. O Acontece em Petrópolis busca trazer inovação para a imprensa local.
Clique aqui e acesse!
5 jul
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26 mai
Sou estudante de Comunicação Social, com muito orgulho, com muito amor. Ao contrário do que se imagina, não ficamos o tempo todo estudando Português e Redação – há disciplinas interessantíssimas, que vão da boa e velha Metodologia Científica aos primórdios da Comunicação. O objetivo é que, ao terminar o curso, tenhamos uma ampla visão não apenas da profissão, mas também do mundo.
Lindo, não? Infelizmente, nem sempre dá certo. Basta assistir às primeiras aulas pra compreender que você será, muito provavelmente, apenas mais uma peça na engrenagem. Não falo apenas das matérias “rec” (recomendadas por alguém “lá de cima”): o establishment dita até a forma como escrevemos. Duvida? Pergunte a qualquer aluno do curso: o que é o lead? Ele provavelmente dirá que o lead deve responder a seis perguntinhas básicas (o quê?, como?, quando?, onde?, porquê?, quem? – não necessariamente nessa ordem). A resposta, decorada, deixa pouco espaço para o questionamento: se todo primeiro parágrafo contiver, sempre, as mesmas informações, qual a graça?
Por isso, quando ganhei a assinatura da revista piauí, me rendi a seus charmes. Seguindo indicação de meu amigo Renato, O Sumido, apontei para “essa aqui” quando meu namorado perguntou qual revista queria de presente – ele estava de olho no relógio que vinha junto com a assinatura.
O charme a que me refiro é, pura e simplesmente, o estilo de escrita que a revista contém. Trata-se de um jornalismo quase literário, poético, bonito. Seu idealizador, o documentarista João Moreira Salles diz: “o que a piauí faz é contar bem uma história”. E que histórias!
Não conhece a revista? Não se sinta mal: ainda há tempo. Aqui vão alguns motivos para correr para a banca mais próxima:
18 mai
Gravar um programa de TV tem um quê de esquisitice. Te iluminam de todos os lados, pedem para ficar em um certo ângulo e ler o texto. Nenhuma tarefa hercúlea, por sinal.
Difícil mesmo é saber o que fazer com as mãos. Se você tem o cue card, ótimo. Segure-o, sem tremer. Se está assentado, apoie as mãos nas pernas. Mas e se está em pé, sem microfone ou qualquer outro objeto para segurar? Se abaixa as mãos, fica reto, esquisito. Se as coloca na altura da cintura, como posicioná-las?
Vencida essa dificuldade – porque uma hora você terá de achar um lugar para as mãos – basta superar, agora, o medo de que sua boca se pareça com a do Boris Casoy. Mais cedo ou mais tarde, você terá de falar. Se gostarem do resultado, te mandam prosseguir. Se não, que volte atrás.
Sair do estúdio é a tarefa mais fácil. Se ver na TV é que é mesmo complicado. Atestar que não, sua boca não fica igual à do âncora da Band quando fala é um grande alívio. Inevitável, porém, é a análise crítica da performance. Pensar que você poderia não ter ficado jogando a franja, posicionado melhor as mãos ou dado ênfase em outra palavra é no mínimo natural.
Ontem mostrei à minha madrinha a primeira gravação que fiz para o Estácio Ativa, programa da faculdade na TV local. Ela ficou tão emocionada e assustada que tive de voltar o primeiro bloco três vezes para que ela ouvisse eu falar. E é assim mesmo: se ver ou ver alguém que conhece na TV é meio que surreal. Mesmo que seja no Estácio Ativa.
16 dez
Não sei porque não escrevi sobre o show aqui antes. Provavelmente porque, logo após, escrevi uma resenha para um outro blog e passou aquela vontade de contar para o mundo, sabe?
Pois bem, vamos aos fatos. Ouço Jason Mraz muito antes da maioria que hoje usa I’m Yours como ringtone – mais precisamente, desde You and I Both. Digamos, então, que foram 5 anos ouvindo sua música. Eu não sei você, mas o efeito de qualquer música do Jason em mim é: ouvir, buscar a letra, tentar cantar junto (gosto de um desafio, sabe como é), não sair da cabeça, decorar para o resto da vida. E quando o show foi anunciado e os ingressos colocados à venda, eu comprei no primeiro dia. Não porque tinha o dinheiro sobrando, mas porque tinha certeza de duas coisas: a) não dá mais para perder os shows dos músicos que tanto admiro (ainda mais agora, que moro a poucos quilômetros do Rio) e b) sabia que valeria a pena a parte de “me virar pra pagar depois”.
É claro que não foi tão fácil assim. A questão de como chegar ao Vivo Rio foi um grande porém – resolvido contratando um taxi até o local do show, que me esperasse e trouxesse de volta – facada. Além disso, eu tinha acabado de sair de uma virose (estava super fraca) e, depois de comprar o ingresso, descobri que teria de entregar um trabalho e teria duas provas exatamente no dia 26. O trabalho pedi a minhas colegas de grupo que entregassem, porém as provas tive de perder mesmo. E, como na Estácio não tem segunda chamada, fiquei de prova final de Linguagens e Fotografia.
Tudo resolvido, fui ao show. Aí, tudo se acalmou. Tiago Iorc subiu ao palco, arrancou suspiros. Tiê, gravidíssima, cantou Balão Mágico. E veio Jason. Descalço, acompanhado de seus incríveis músicos, ele começou entoando uma nota que só subia, ali mesmo, no escuro. Eu ali, na grande, achava que voltaria para casa sem tímpanos, tamanha a gritaria. E veio aquela que eu temia que ele não cantaria: You and I Both deu as caras. A partir daí, foram as melhores músicas de We Sing, We Dance, We Steal Things, além dos sucessos consagrados, que rendiam verdadeiros coros, como em The Remedy, Lucky (em um dueto fofíssimo com Tiê – vídeo abaixo) e no grande hit, I’m Yours).
Foi tudo o que eu esperava? Não. Se você me perguntasse, antes de show, “que música não pode faltar num show do Jason Mraz?”, eu diria no mínimo três que ele não cantou: Geek in the Pink, Wordplay e Curbside Prophet. Fizeram falta? Não. Eu, que caí de amores por Butterfly assim que ganhei o CD, nem ia perceber que ela já ia ficando de fora, quando o Mr. A-Z voltou pro bis.
Eu quis finalmente escrever algo aqui para que alguém entenda o que essa experiência significou pra mim. Não foram poucas as pessoas que arregalaram os olhos quando eu disse que perderia duas provas pra ir ao show. Há quem diga que é coisa da juventude, de ser fã. Mas o meu “relacionamento” com o Jason, se é que se pode chamar assim, não é coisa de fã. Não sonho em me casar com ele, não o acho perfeito. É que um dia eu estava triste e descobri que não só as músicas dele me distraíam dos problemas, como elas também me alegravam. Música é isso mesmo: tocar a vida das pessoas através de uma combinação de sons e, na maioria dos casos, palavras.
Eu saí de lá com a sensação de que tinha acabado de ter uma conversa com o cantor, e não assistido a ele tocar. Talvez fosse a proximidade, mas o fato é que ele me fez sorrir, me fez dançar (eu, dançar!) e me fez refletir. Quando passou por mim, olhou dentro dos meus olhos, eu sabia que tinha de dizer algo, mas tudo o que saiu (e que ele poderia compreender rapidamente), foi “we love you”. Quando disse, me senti uma adolescente boba, mas ele balançou a cabeça em afirmação e colocou a mão no peito. Pra mim, bastou.
É coisa da idade? Te direi daqui a alguns anos. No momento, ver de perto essa gente toda que canta o que eu sinto, ter esse “papo” com eles, me parece uma experiência que eu quero muito ter. É agora, aos 21, a hora de arriscar as fichas (e o cartão de crédito, no meu caso) – e não quando já for casada e com filhos. Pode ser que o risco corrido valha muito a pena. Para muitos, eu posso ter arriscado o semestre, confiado demais no meu taco, mas os fatos são esses: fui ali ao Rio curtir um show que eu queria ver há muito tempo, e onde me diverti como nunca; voltei pra casa, segui com a vida, fiz minhas provas finais, tirei 10 nas duas, e estou de férias. E eu faria de novo.
12 dez
Essa foi a última semana na faculdade – desse semestre, pelo menos. Provas finais feitas, presentes de amigo oculto trocados, férias. Esse período aprendi a segurar uma câmera (e pouco além disso), conheci os primórdios da comunicação, descobri que sei ler do TP, y otras cositas más. Porém, o que mais ficou do meu primeiro contato com a Comunicação Social foi um senso crítico aumentado, exponencialmente até.
Isso, graças ao professor Bibiano. Professor de Linguagens, foi através dos mais belos e variados textos que Bibiano nos mostrou uma língua bela – a nossa. E foi através dos textos jornalísticos mais mal escritos que o professor mostrou o quão importante é a organização das ideias, a perfeita concordância, os perigos da ambiguidade. Eu, que já não era fã dos erros de Português (ou de qualquer outro tipo) em publicações, me vi ainda mais crítica do que leio, e principalmente do que escrevo.
E foi aí que parei para pensar no quanto nossos professores moldam nossa vida, atitudes e opiniões. A minha primeira professora, na verdade, foi minha mãe. Entre muitas outras coisas, ela me ensinou que ler era legal. Muitas das minhas memórias de infância incluem minha mãe lendo algo – que fosse uma revista, trabalhos de alunos, a Bíblia. Eu achava o máximo ver os olhos ela correndo pela página, tão ligeiros. Foi então que aos 4 decidi que já era grande o suficiente para aprender a fazer o mesmo. Era uma verdadeira sede de leitura. E a primeira palavra que ela me ensinou foi to-ma-te. Me lembro como se fosse ontem. Nós duas, sentadas ao sofá, usando um banco como suporte. Minha mãe escreveu algumas palavras em um papel de pão (essa memória pode ser implantada, admito), me ensinando as sílabas mais simples. E eu aprendi o resto sozinha. Resultado: gosto de juntar sílabas até hoje.
Tia Rozana me ensinou que eu podia faltar aula e ainda assim dar conta do recado. Como estudava na mesma escola onde minha mãe trabalhava (e que por sinal ficava em Tebas, distrito de Leopoldina, sinônimo de milhares de idas e vindas de ônibus ao longo dos anos), ela às vezes dizia que eu podia ficar em casa se estava chovendo, por exemplo. E quando eu voltava, eu ainda conseguia pintar, seguir o tracejado, fazer colagens. Esse aprendizado eu carrego comigo até hoje!
Anos depois, com a Lecília, redescobri os prazeres da leitura, com a coleção Vagalume. Ela me emprestava livros, eu pegava na biblioteca. Dois anos depois, eu já havia lido alguns clássicos, incluindo Machado de Assis e Shakespeare. Foi mais ou menos nessa mesma época que descobri que não poderia ser uma arquiteta, como imaginava, porque dependeria de uma coisa chamada Matemática, que cada vez ficava mais complicada.
Com as inúmeras professoras de Inglês que tive, cheguei à conclusão de que a educação estava mesmo falida. Uma delas, porém, despertou minha paixão pela língua: Tatiane foi a primeira que parecia saber do que estava falando (e sabia mesmo) e me fez ver como era divertido ver uma série e compreender o que era dito sem depender das legendas. Acho que devo a ela cada centavo do que ganhei como professora de Inglês, anos depois.
Com a Maria Helena, descobri que, se tudo desse errado e eu não conseguisse fazer algo de que realmente gostasse, poderia virar professora do Cefet. Seria uma bela oportunidade, andar de carro novo, faltar de vez em quando, não fazer esforço algum para que os alunos aprendessem e ser bem paga para tal. Infelizmente, foi um ano inútil de “aulas” de História, que só aprofundou meu desgosto por aquilo que (não) aprendi: a Antiguidade. Foi o Magno, ainda no Cefet, que me mostrou que eu estava no lugar errado. Muito exigente (e nem sempre educado), ele nos fazia montar circuitos e diferenciar diodos e calcular isso e aquilo. Foi quando eu desisti do curso por inteiro.
Já no Equipe, no ano seguinte, descobri que a Física não é, na verdade, o inferno na Terra. Foi o Ormeu que me mostrou o lado interessante da calorimetria – veja só! Foi ele quem me proporcionou o meu primeiro 10 na matéria e as fórmulas na prova, me libertando da decoreba – tudo isso usando uma camiseta do Rolling Stones. E veio o Josenilson, com seu jeito de baiano arretado, iluminar as terças-feiras. Jose me mostrou que eu não precisava andar com a gramática debaixo do braço para compreender a língua. Não eram apenas os exemplos que ele dava, fazendo piadas com os nossos nomes e inventando apelidos. Era a simplicidade com que nos fazia compreender até o que considerávamos complicado. Além disso, os debates que ele sempre propunha abriram os horizontes daquela menina de 16 anos. O Marco Antônio e o Flávio mostraram o lado divertido da Biologia, que eu já tinha me acostumado a não gostar. Desde imitações do reino animal a trocadilhos engraçados, eles me ensinaram a ver com outros olhos, e por isso sou muito grata.
Depois de tantas boas memórias, me recuso a acreditar – e a aceitar – que a educação não tem jeito. Acredito, isso sim, que os bons professores tem o poder de transformar, tanto o bom aluno quanto o ruim. Querendo ou não, são pessoas que tem um papel importantíssimo em nossas vidas, e a quem deveríamos ser um pouco mais agradecidos. A eles, então, o meu muito obrigada.
30 out
Hoje é o encerramento da Semana de Comunicação da Estácio Petrópolis. Foram dias de palestras, com o tema Prata da casa, Ouro no mercado, e até uma sessão do documentário Língua: Vidas em Português no Museu Imperial, com presença do diretor, Victor Lopes. Como o tema sugere, todos os palestrantes convidados formaram-se na Estácio e agora trazem um pouco de seu conhecimento de mercado para nós, que pretendemos seguir o caminho da Comunicação.
O lado ruim de convidar ex-alunos é que eles não são necessariamente palestrantes. Ou seja, tirando o cineminha da segunda-feira, não deu para aprender muito ou mesmo se engajar nas palestras, que fugiam ao tema e caíam sempre na tecla do ‘como-montei-minha-empresa’. Eu reconheço, porém, o esforço da faculdade e não estou aqui para reclamar.
Se é para fazer uma retrospectiva da Semana (que seria o objetivo original do post), diria que o que ganhei com ela foram perguntas, questionamentos. Seria a derrubada da mídia impressa? As revistas tem futuro? Com a queda do diploma, quem é jornalista e quem não é? Como pensar fora da caixa? A velha mídia vai absorver as novas?
Pelo visto não é só meu professor de História da Comunicação que compara as mudanças atuais à revolução dos tipos móveis de Gutenberg. Rosental Alves bateu um papo legal com Miriam Leitão no Espaço Aberto, do Globo News, essa semana (veja na íntegra aqui). E, enquanto o papo gira em torno de Twitter e novas tecnologias, Rosental afirma com todas as letras que , considerando-se a velocidade com que a comunicação muda e evolui, cabe a nós, (futuros) profissionais da área, nos adaptarmos ao novo.
Esse debate não é necessariamente a manchete da semana, mas estando agora cara a cara com o jornalismo, devo dizer: esse papo muito me agrada. Desde cedo dedicidi que gostaria de ter uma profissão dinâmica, e é muito bom saber que vou sair da faculdade e ainda ter muita, mas muita coisa pra aprender. Muito mais que isso, tais mudanças podem significar um aumento significativo na qualidade da informação que recebemos todos os dias, já que os veículos tradicionais se esforçarão ao máximo para não perderem público e os novos, como portais de notícias, devem primar por boa informação se quiserem se estabelecer como fontes confiáveis.
É uma nova era para todos os nós, e é muito excitante.
7 set
O núcleo de mídia da faculdade (do qual eu ainda não sei o nome) vai começar, este mês, uma exposição de fotografia pelos corredores do campus, com o tema ‘Aconteceu em Petrópolis’. O tema me pareceu razoável e acessível, e, de câmera em punho, aproveitei o sábado ensolarado do último dia 29 para dar uma de turista no centro histórico da Cidade Imperial.
Não tirei muitas fotos. Havia um grupo de peruanos com seus instrumentos de sopro em uma praça, mas eu não consegui criar a coragem necessária para um clique. Acabei tirando fotos de algumas pombinhas e de um cachorro em outra praça, que não se importaram com os flashes. Enviei as fotos para o email da exposição, com a ressalva: se não estiverem boas, não as usem. Afinal, as duas aulas que tive de Introdução à Fotografia não fazem de mim nenhuma Diane Arbus, e eu bem sei disso. Cliquei no melhor espírito o-que-importa-é-participar, então a falta de obras-primas no resultado não foi necessariamente surpreendente.

O que surpreendeu, no entanto, foi o delicioso exercício de um novo olhar. Foi procurar, nos mínimos detalhes, coisas excepcionais. Foi observar melhor o trajeto de cada dia, comumente visto através das janelas de um carro ou ônibus. A sensação foi de abraçar Petrópolis com os olhos.
Eu já havia escrito aqui sobre o cotidiano que ignoramos, o dia-a-dia que passa despercebido, em meio à correria da vida moderna. Felizmente, parece que os dias vividos vão abrindo, aos poucos e cada vez mais, nossos olhos, que se acostumam muito facilmente ao que está ao redor – deve ser um dos famosos benefícios em se ficar mais velho. Assim espero.