Sabe aquela resolução de ano novo de tentar fazer coisas novas, diferentes? Seria uma que eu poderia ter riscado da minha lista ontem, caso não tivesse desanimado de fazer resoluções. Isso porque inscrevi meu namorado e eu em uma caminhada guiada que nos levaria até a cachoeira Véu da Noiva, no Parque Nacional Serra dos Órgãos, promovida por um condutor que já faz o percurso há 24 anos.
A Serra dos Órgãos, como você já deve ter ouvido falar, é uma área de conservação de mais de 20.000 hectares situada nos municípios fluminenses de Teresópolis, Petrópolis, Magé e Guapimirim, e um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil, perfeito para esportes de montanha. Dela fazem parte o Dedo de Deus, centenas de espécies de aves e mamíferos, e a travessia Petrópolis-Teresópolis, uma caminhada de 3 dias e 30km, é considerada a mais bonita do país.
A aventura começou bem cedo – e não apenas por termos acordado às cinco e meia da manhã. Fomos informados, no ponto do ônibus que achamos que nos levaria até a entrada do parque, de que pegaríamos uma outra condução (que por sinal não nos deixou ao menos perto do parque). Com quatro passagens a mais (ida e volta pra duas pessoas), achamos que nosso dinheiro não seria o suficiente. O alívio veio quando fizemos integração no terminal de Corrêas e ficamos isentos daquela tarifa. Ufa!
No trajeto que leva ao parque, nos separamos do grupo e achamos que seríamos assaltados por um rapaz de aparência duvidosa em uma rua quase deserta. Corremos, e muito! Antes de chegarmos ao nosso destino, porém, nos foi avisado: a entrada, que até dia 10 de janeiro era R$3 (com comprovante de residência de Petrópolis, pagava-se meia), havia sofrido reajuste. Para quem já tinha ido com o dinheiro contado, a nova taxa, de R$10, teria sido um baque, se o desconto para petropolitanos não tivesse subido para 80% do valor. Pagamos R$2 cada um – segundo alívio.
O trajeto até a cachoeira não foi nada fácil, apesar de assim ter sido divulgado. Um terreno acidentado, com subidas íngremes, trechos estreitos, pedras molhadas e com lodo é pesado para quem nunca fez trilha, como eu e Thiago. Conhecer pessoas diferentes, o simples fato de fugir da rotina e, sem dúvida, a paisagem da cachoeira e o contato com a natureza fizeram as dores musculares, que sinto até agora, valerem a pena.
Restou o questionamento: o tal reajuste, que veio do Ministério do Meio Ambiente e vale em todo o território nacional, prevê preços diferentes para brasileiros e estrangeiros. Até faz sentido o aumento no preço da entrada, que não mudava desde 1996, mas quem não teve o privilégio de nascer aqui (cof cof) paga o dobro, a não ser que comprove residência fixa em nosso país. Apesar de sabermos que quem mais visita o Brasil traz dólares, euros ou libras, não entendo o raciocínio por trás da taxa diferenciada. No setor Bonfim, por exemplo, o acesso ao parque não é dos melhores, e a manutenção dos sanitários deixa a desejar.
Há outras formas de incentivar o turismo e tirar dinheiro dos americanos, argentinos e portugueses, como investir em segurança pública e manutenção e divulgação de nossas belezas. Evitar o desvio de verbas do Ministério de Turismo também pode ser uma boa ideia. Pode ser que esse tipo de mentalidade só ajude a reforçar os estereótipos que fazem de nós lá fora e a atrapalhar a subida que o Brasil tem tido como destino turístico.
Enquanto você reflete sobre o tópico – que pode lhe afetar mais do que você imagina – dê uma olhada em algumas das fotos que tirei por lá: