Hashtags e revoluções

5 jul

Muito foi falado nos últimos dias sobre os cada vez mais frequentes pedidos de afastamento do presidente do Senado, José Sarney, em decorrência da crise por que passa a instituição, e que foi agravada com seu comando. São partidos da oposição, famosos e pessoas como eu e você unidos pelo mesmo desejo – isso geralmente só acontece em épocas de Copa do Mundo.

Tal pedido não é infundado. Ontem mesmo saiu na Folha de São Paulo que o sr. senador “esqueceu” de declarar que possui uma casa em um bairro nobre de Brasília, pela qual pagou R$4 milhões. Some-se a isso a nomeação de aliados e familiares para cargos no governo (inclusive no Maranhão, comandado por sua filha), o uso do auxílio-moradia, no valor de R$3.800, mesmo que o senador possua casa no DF, o intermédio de seu neto em empréstimos consignados entre bancos e servidores do Senado e os já famosos atos administrativos secretos avalizados por Agaciel Maia (que por sua vez foi nomeado pelo próprio Sarney), e não é de se espantar que a primeira palavra que surge na cabeça de muitos seja ‘renúncia’.

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Pois foi com o espírito de começar a revolução da cama, como diria o Oasis John Lennon, que twiteiros de todo o país se utilizaram da hashtag #forasarney para protestar – o objetivo de chegar aos trending topics logo foi alcançado. Foi uma maciça mobilização, que chegou, inclusive, às ruas, aos principais portais de notícias e aos ouvidos do grande astro do Twitter, Ashton Kutcher.

Em meio à crise, o presidente Lula reuniu a galera do PT para discutir a situação. Nenhuma grande surpresa aconteceu. O presidente e sua fiel escudeira, Dilma, já haviam defendido publicamente o Zé – você sabe, para não prejudicar a amizade com a galera do PMDB, que poderia ficar chateada e retirar o apoio aos planos do PT para 2010.

Dona Rousseff chegou a dizer que não se pode pegar o presidente da Casa para Cristo quando outros também haviam falhado. Isso até faria certo sentido se Sarney não fosse a personificação do que há de errado com o Brasil. No poder há 54 anos, sempre alternando alianças com os partidos que estivessem no comando, seu Sarney, como todo político, fez suas lambanças, mas certas delas, como os inúmeros atos secretos que passaram por baixo de seu bigode, são inaceitáveis. Essa conduta deve ser intolerável no Brasil, e sim, o vovô do Senado deve ser usado como exemplo de que não simplesmente nos acomodamos. Que se danem a governabilidade e as alianças! Pelo menos uma vez na vida seria bom ver políticos fazerem algo além de cobrirem os próprios traseiros. Pelo visto, é pedir demais.

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7 Respostas to “Hashtags e revoluções”

  1. Natalia 05/07/2009 às 14:12 #

    A internet é um dos melhores meios pra fazer mobilizações assim. Não usar as hashtagas, claro, mas começar uma coisa que acaba nas ruas mesmo. Só é ridículo quem acha que usando a hashtag vai resolver alguma coisa e fica postando por postar.

    E aquela do mordomo da filha (acho que era isso) foi de matar né! E eu acho que se não pode pegar UM pra Cristo, que peguem todos então. Quero só ver como é que vão ser as próximas eleições…

    PS: “revolução da cama” é do John Lennon! Noel roubou esse pedacinho de umas fitas onde John tava gravando suas memórias ;D

  2. renato 07/07/2009 às 11:18 #

    argh sarney. quem mais (além do michael jackson, farrah fawcett e tantos que se foram essa semana passada) ele terá de matar pra esquecermos dele?
    huashuhu
    bjo guria. saudades, precisamos nos falar. :)

  3. Antonoly 08/07/2009 às 03:15 #

    Política é uma coisa podre, e em se tratando de Brasil, a podridão é maior ainda.

  4. Sistema Zombie 08/07/2009 às 03:16 #

    So no Brasil mesmo pra um palhaço como esse ainda ta no poder…

  5. Antonoly 08/07/2009 às 03:16 #

    Política é uma coisa podre e em se tratando de Brasil é pior ainda!

  6. Sistema Zombie 08/07/2009 às 03:19 #

    Pralhaço!

  7. Karine 10/07/2009 às 18:58 #

    Essas coisas só acontecem por aqui mesmo. Mesmo fazendo coisa errada há tanto tempo, há quem ainda vote nesse ser humano. Espero que um dia todo mundo aprenda a votar melhor e fazer valer seus direitos.

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