It's such a lovely day, and I'm glad you feel the same!

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Why so hot?

Não sou fã de futebol. Uma vez me impuseram ser flamenguista e eu não conseguia fugir da algazarra em que se transformava minha casa quando o Flamengo jogava. Todo esse fanatismo me fez decidir, por volta dos 9, que odiava futebol.

E odiei futebol durante muito tempo. Não tinha o mínimo de paciência para a coisa. Quando meu namorado pediu que eu usasse o rótulo de botafoguense, não impus qualquer objeção, afinal nunca tinha sido flamenguista de verdade. Anos mais tarde, me pego lendo notícias do time, vibrando com gols e ensaiando argumentos de defesa quando citam a última goleada sofrida pelo Botafogo. Quem diria…

Um assunto muito mais importante, porém, é a sustentabilidade. Sem querer voltar ao tópico “vamos-pagar-o-preço-de-nosso-consumo-desenfreado” (e vamos!), é fato que atualmente todas as grandes empresas tem se voltado para o tema, buscando formas de diminuir seu impacto no planeta e, de quebra, vender mais para aqueles consumidores mais exigentes.

Essa do Arsenal meu namorado tem – e é bem quentinha!

Como o futebol tem estado mais em minha mente, me peguei pensando: por que as camisas de futebol são tão quentes? É claro que o material de que são feitas (as originais) é de ótima qualidade, o que justifica seu alto preço. Mas as fabricantes esquecem que o Brasil, país do futebol, é tropical. Ou seja, no verão, é praticamente impossível usar a camisa do time para comemorar uma vitória.

Usando como ponto de partida o fato de que roupas mais frescas economizam energia, já que evitam que se ligue ventilador e ar-condicionado, seria ideal que as empresas fabricantes começassem a pensar em tecidos iguais em qualidade, porém mais frescos (e, de preferência, mais baratos). O pensamento sustentável faz bem pro planeta, para o consumidor e para as empresas. Pena que algumas ainda não se deram conta disso.

Se alguém conhece algo sendo feito neste sentido, adoraria saber – por favor, deixe um comentário.

February 8, 2010   Nenhum comentário

Poesia cotidiana

Senhora de aproximadamente 60 anos se dirige a mulher com (bastante) excesso de peso:

___ Tu queres assentar-se?
___ Não, ‘brigada.

Cena em um ônibus que, no fim de uma tarde de verão, ia para o terminal de Itaipava. Prova de que a poesia das palavras cotidianas está presente até nos lugares menos prováveis.

February 6, 2010   1 Comentário

Estupidamente

Não sei se isso acontece na sua cidade, mas aqui em Petrópolis é comum motoqueiros andarem sem capacete e motoristas estacionarem eus carros sobre a calçada, e os infratores são raramente punidos.

Hoje, a possível combinação de ambas infrações matou um jovem. Ele se chocou contra o ônibus em que eu estava, ontem à tarde, indo para o centro. Para ser sincera, não sei ao certo se o rapaz usava ou não capacete (mas tudo indicava a falta dele), porém ele subia em alta velocidade uma curva fechada na Alberto de Oliveira quando o motorista do ônibus foi obrigado a desviar de um carro parcialmente estacionado no passeio (e parcialmente invadindo a pista de quem desce). O choque foi inevitável.

Da janela do ônibus, de onde costumo observar as belas casas antigas da cidade, vi o jovem estirado ao chão, com o corpo meio que em convulsão. O estrago já havia sido feito.

Acompanhada pelo trocador, que abandonou o veículo na rua interditada, enquanto os pedestres se aglomeravam e o motorista desesperadamente chamava a ambulância, embarquei em outro ônibus. Em alguns minutos, antes mesmo de sairmos da Mosela, passamos pelo carro dos bombeiros e a ambulância. Hoje chegou a notícia, através do boca-a-boca, de que apesar da cirurgia, o rapaz não havia resistido.

Eu não o conhecia, mas mesmo assim senti a perda de uma vida que se foi estupidamente. Se ele não estivesse correndo, se o dono do carro tivesse respeitado a proibição, ou mesmo se o ônibus tivesse atrasado mais 30 segundos, o resultado poderia ter sido diferente.

Levarei comigo o som da batida, a imagem daquele corpo quase inerte, que lutava por cada suspiro, e a eterna indignação com quem não leva o trânsito tão a sério. É triste, muito triste.

UPDATE: a notícia da morte do rapaz mostrou-se falsa – mas ele continua no hospital em estado grave. Não deixa de ser revoltante.

February 4, 2010   4 Comentários

Na natureza selvagem

Sabe aquela resolução de ano novo de tentar fazer coisas novas, diferentes? Seria uma que eu poderia ter riscado da minha lista ontem, caso não tivesse desanimado de fazer resoluções. Isso porque inscrevi meu namorado e eu em uma caminhada guiada que nos levaria até a cachoeira Véu da Noiva, no Parque Nacional Serra dos Órgãos, promovida por um condutor que já faz o percurso há 24 anos.

A Serra dos Órgãos, como você já deve ter ouvido falar, é uma área de conservação de mais de 20.000 hectares situada nos municípios fluminenses de Teresópolis, Petrópolis, Magé e Guapimirim, e um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil, perfeito para esportes de montanha. Dela fazem parte o Dedo de Deus, centenas de espécies de aves e mamíferos, e a travessia Petrópolis-Teresópolis, uma caminhada de 3 dias e 30km, é considerada a mais bonita do país.

A aventura começou bem cedo – e não apenas por termos acordado às cinco e meia da manhã. Fomos informados, no ponto do ônibus que achamos que nos levaria até a entrada do parque, de que pegaríamos uma outra condução (que por sinal não nos deixou ao menos perto do parque). Com quatro passagens a mais (ida e volta pra duas pessoas), achamos que nosso dinheiro não seria o suficiente. O alívio veio quando fizemos integração no terminal de Corrêas e ficamos isentos daquela tarifa. Ufa!

No trajeto que leva ao parque, nos separamos do grupo e achamos que seríamos assaltados por um rapaz de aparência duvidosa em uma rua quase deserta. Corremos, e muito! Antes de chegarmos ao nosso destino, porém, nos foi avisado: a entrada, que até dia 10 de janeiro era R$3 (com comprovante de residência de Petrópolis, pagava-se meia), havia sofrido reajuste. Para quem já tinha ido com o dinheiro contado, a nova taxa, de R$10, teria sido um baque, se o desconto para petropolitanos não tivesse subido para 80% do valor. Pagamos R$2 cada um – segundo alívio.

O trajeto até a cachoeira não foi nada fácil, apesar de assim ter sido divulgado. Um terreno acidentado, com subidas íngremes, trechos estreitos, pedras molhadas e com lodo é pesado para quem nunca fez trilha, como eu e Thiago. Conhecer pessoas diferentes, o simples fato de fugir da rotina e, sem dúvida, a paisagem da cachoeira e  o contato com a natureza fizeram as dores musculares, que sinto até agora, valerem a pena.

Restou o questionamento: o tal reajuste, que veio do Ministério do Meio Ambiente e vale em todo o território nacional, prevê preços diferentes para brasileiros e estrangeiros. Até faz sentido o aumento no preço da entrada, que não mudava desde 1996, mas quem não teve o privilégio de nascer aqui (cof cof) paga o dobro, a não ser que comprove residência fixa em nosso país. Apesar de sabermos que quem mais visita o Brasil traz dólares, euros ou libras, não entendo o raciocínio por trás da taxa diferenciada. No setor Bonfim, por exemplo, o acesso ao parque não é dos melhores, e a manutenção dos sanitários deixa a desejar.

Há outras formas de incentivar o turismo e tirar dinheiro dos americanos, argentinos e portugueses, como investir em segurança pública e manutenção e divulgação de nossas belezas. Evitar o desvio de verbas do Ministério de Turismo também pode ser uma boa ideia. Pode ser que esse tipo de mentalidade só ajude a reforçar os estereótipos que fazem de nós lá fora e a atrapalhar a subida que o Brasil tem tido como destino turístico.

Enquanto você reflete sobre o tópico – que pode lhe afetar mais do que você imagina – dê uma olhada em algumas das fotos que tirei por lá:

February 2, 2010   7 Comentários

Compartilho o pão, mas não o café

Minha mãe me ensinou a partilhar, da mesma forma que sei que sua mãe também te ensinou: dividir lanches e brinquedos, por mais difícil que possa ter sido em nossas infâncias, ajudou a nos preparar para enfrentar o mundo, de certa forma.

Sou totalmente a favor da prática. Empresto DVDs, livros, perfume, acessórios. Ofereço biscoitos, salgadinhos, taça de vinho e até Ferrero Rocher. Há, porém, certas coisas incompartilháveis, por assim dizer. E não falo nem de roupas íntimas e escova de dentes – são óbvias demais. Falo mesmo daqueles itens que você valoriza tanto, que quer só pra si.

Você já deve ter ouvido falar do Joey, personagem comilão de Matt LeBlanc em Friends, por exemplo (a não ser que você viva em outro planeta ou seja vizinho de caverna do Osama). Ele é um cara muito legal, charmoso com as mulheres, amigo leal, mas há duas coisas que ele não compartilha, de jeito algum: comida e seu pinguim de pelúcia, Hugsy (cenas abaixo).

Há duas coisas que prefiro evitar compartilhar: café e milk shake de Ovomaltine do Bob’s. É que eu adoro café. E não é necessariamente um item em escassez aqui em casa. Quando ofereço café à minha mãe, ela diz: ‘Pode deixar, eu bebo com você’. Não haveria problema algum, mas todo café que está na minha xícara eu bebo, não importa quantas vezes você servir (também tenho essa relação com taças de vinho, não sei porquê!). Então, pra evitar que ela fique sem, levo uma xícara separada pra ela, só pra garantir. Além disso, sou fã incondicional de milk shake, mas o Ovomaltine não é apenas isso: ele está no território sagrado dos milk shakes. Delicioso, cremoso, refrescante… e caro. Quando tenho um só, divido com quem quer esteja me acompanhando. Mas se tiver mais dinheiro na carteira, prefiro comprar um para o acompanhante também, porque tomar esse milk shake, pra mim, é o ponto alto do dia. Se ele for só meu, melhor ainda.

Não dividir uma porção de batatas não faz de Joey uma pessoa ruim, e não é egoísmo. Cada um tem coisas suas, só suas. É uma forma de individualismo que já vem embutida na maioria de nós.

Não seja egoísta, nunca. Compartilhe quase sempre.

January 23, 2010   4 Comentários

O céu é o limite

Uma recente pesquisa da empresa de consultoria Accenture, realizada online com 1000 profissionais femininas entre 22 e 35 anos, relatou que:

  • 63% das entrevistadas citaram benefícios médicos como parte essencial do sucesso profissional;
  • 94% acreditam que alcançarão equilíbrio entre carreira bem-sucedida e satisfação pessoal;
  • 30% consideram aumento salarial o maior obstáculo para o avanço profissional, enquanto 19% disseram políticas de maternidade e 12% citaram o casamento;
  • O salário médio das mulheres é 80% do salário dos homens;
  • 50% valorizam horários flexíveis;
  • 60% relataram impacto negativo em suas carreiras decorrente da crise econômica;
  • Profissionais nascidos a partir de 1980 já são um terço do mercado de trabalho.

Que as mulheres tem, hoje, um papel importantíssimo no mercado de trabalho já não é mais novidade. Casamos, parimos, lavamos, passamos, cozinhamos e construímos carreiras. Não é questão de feminismo: é inegável que atualmente o sexo forte contribua diretamente para o orçamento familiar e tenha assumido a liderança de muitas famílias.

Não estou invocando aquela história de que fazemos tudo que os homens fazem, e de salto alto. A verdade é que não fazemos tudo que os homens fazem. A maioria de nós seria inútil num canteiro de obras, numa disputa esportiva ou no campo de batalhas, embora algumas mulheres, que nasceram com uma dose extra de ousadia e coragem, desafiem tais estereótipos. Aquilo que fazemos, entretanto, tem nos levado a cargos e salários cada vez mais altos.

Embora gostemos de desafiar a alcunha de ‘frágeis’, o desafio que a mulher moderna enfrenta não é dos menores. Até hoje recebemos menos que os colegas de sexo masculino que realizam a mesma função, nos esforçamos por uma educação contínua e somos as principais responsáveis pela organização da casa e da família – quase não sobra tempo para lembrar que estamos de TPM.

Por outro lado, a mulher tem usado a seu favor o avanço que conseguiu nos últimos 50 anos. O simples fato de exigirmos o direito de voto mostra o quanto gostamos de fazer parte do time que toma as decisões. A abertura para o crescimento profissional, inclusive em cargos de chefia ou comumente masculinos, não é exatamente a manchete do dia, mas nada disso fez com que ser mulher se tornasse fácil. Os padrões de beleza cada vez mais rígidos e a carreira em detrimento da família são apenas a ponta do iceberg do universo feminino.

Não se preocupe: para quem sobrevive à dor do parto ou já teve de escolher entre Jimmy Choo e Manolo Blahnik, os obstáculos nem parecem tão grandes assim.

January 20, 2010   1 Comentário

ICQ – A Ressurreição

Quando ganhei acesso à internet em casa, em 2000, descobri o mundo. Minha professora de Inglês me apresentou um programa que permitia que buscasse pessoas por região e idioma para conversar através de mensagens instantâneas. Nessa época, o ICQ era “o” programa da galerinha jovem e antenada! Eu virava a noite tentando desenrolar um papo com americanos e ingleses, o que muito me ajudou a aprimorar minhas habilidades linguísticas.

Não sei exatamente quanto tempo o ICQ durou no meu computador. Não me lembro ao certo de quando meu amigo Eduardo me convenceu a trocá-lo pelo MSN, mas quando o fiz, nunca olhei para trás. O que recordo vividamente é dos efeitos sonoros, emitidos quando se conectava, quando se recebia uma mensagem, quando se digitava a resposta… Ou vai dizer que você esqueceu o som da internet discada conectando?

O MSN pode ter assumido a liderança, mas o ICQ teve papel primordial na minha iniciação online. E, acredite, não sou a única a ter certo carinho pelo software. Hoje muitos na twitosfera estavam nostálgicos e até animados para testar a versão 7, que foi recentemente disponibilizada para download pela AOL.

O lançamento seria um grande fail, não fosse pelo fato de os usuários poderem contar agora com uma integração com as principais redes sociais, como Twitter, Facebook e Flickr. É possível atualizar seu status no ICQ e propagá-lo para seus outros perfis ou responder a mensagens de amigos no Facebook diretamente da sua janela.

A integração é bem vinda. O visual foi melhorado e, veja só, há até emoticons! Há, porém, um detalhe: embora ainda haja mais de 40 milhões de usuários do programa de mensagens instantâneas, eu não conheço nenhum deles. Todos os meus amigos que tem tempo e paciência de conversar na internet usam o MSN, e imagino que este também seja o seu caso. Sem haver com quem conversar, o programa perde seu objetivo principal. E, se formos avaliar benefícios, há agregadores que atualizam seu status e acompanham novidades em várias redes sociais, como o Seesmic, e não te isolam do mundo das mensagens instantâneas.

No fim das contas, o novo ICQ é ótimo, mas só para quem conhece outros usuários. Do contrário, não desinstale o TweetDeck.

January 19, 2010   9 Comentários

Lá vem a temporada de premiações

A award season está aí. O Globo de Ouro, um dos mais importantes prêmios de cinema e televisão, acontece neste domingo. No próximo é o SAG, a premiação do Sindicato dos Atores e, quando você se der conta, já chegou 2 de fevereiro e a Academia anuncia os felizardos indicados à 82ª edição do Oscar.

Como o Globo de Ouro é considerado uma espécie de prévia do Oscar, não é à toa que ele dê no que falar. Esse ano, a escalação de Ricky Gervais para apresentar a cerimônia de entrega das estatuetas (que até ano passado não tinha um, digamos, mestre de cerimônia), também rendeu algumas manchetes. Cada um faz o que pode. O Oscar, por exemplo, terá dez filmes concorrendo ao prêmio maior, a partir deste ano. A esperança é de que filmes com bilheterias mais expressivas, como Up – Altas Aventuras e Julie & Julia, entrem para a disputa e atraiam mais telespectadores. Talvez os dois apresentadores (Steve Martin e Alec Baldwin) também cooperem neste sentido.

Há quem já faça apostas, mas nada é certo para este domingo. Nada mesmo. Se há um lugar onde tudo é possível, este lugar se chama Hollywood. A Heidi Klum pode dar as caras muitíssimo mal vestida, Gervais pode não ser engraçado e (pasme) Mad Men pode não ser eleita a melhor série, só pra variar. A última vez que pensei que o resultado era óbvio (de que Brokeback Mountain ganharia o Oscar de Melhor Filme), veio o balde de água fria. Foi então que aprendi que nada é definitivo na terra dos astros. Tudo depende de hype, influência e poder, algo que nenhum talento ou filme brilhante pode comprar, na maioria dos casos.

Se as previsões nem sempre dão certo, ainda há algo que me motiva e não me deixa dormir na frente da TV: o favorito. Antes de cada grande premiação, procuro assistir todos os filmes indicados (feito que nunca consegui, por sinal). Conhecendo os competidores, é natural escolher aquele que gosto mais, o que deixa a noite muito mais divertida. Portanto, gostaria de compartilhar com quem ainda não teve a oportunidade de conferir a maioria dos indicados por quem eu torço nas principais categorias. Não que a minha opinião importe, mas pode ser que você fique mais disposto (a) a conferir este ou aquele filme, que são muito bons, mas passariam despercebidos. Que tal?

Melhor Filme – Drama: Avatar. Aventura, romance, tecnologia impecável, trama contagiante. Não dá pra não gostar de Avatar. Nenhum dos outros indicados nesta categoria me fez sentir que havia assistido a um espetáculo cinematográfico – não como Avatar.
Outros indicados: Guerra ao Terror, Bastardos Inglórios, Preciosa, Amor Sem Escalas

Melhor Filme – Musical ou Comédia: (500) Dias Com Ela. Dizem que Nine é um espetáculo. Não vi, mas nem precisaria. (500) Dias… foi o filme mais apaixonante do ano. Ao fim, você não sabe se gosta mais dos personagens, tão lindamente construídos, da trilha sonora ou da imprevisibilidade do roteiro. É a comédia romântica mais realista e ao mesmo tempo adorável que assisti em muito tempo.
Outros indicados: Se Beber Não Case, It’s Complicated, Julie & Julia, Nine

Melhor Ator – Drama: George Clooney. Não vi Crazy Heart (como gostaria!) ou A Single Man. Tobey Maguire é talentoso, mas faltou algo em seu Sam de Entre Irmãos. Morgan Freeman saiu de sua zona de conforto (ele não parece interpretar sempre o mesmo personagem?) e fez Mandela, mas e daí? O filme de Clint é falho e na verdade, tudo que Freeman faz é um sotaque. Clooney, então, se sobressai. Ele é esperto o suficiente pra escolher papéis que consegue interpretar com certa facilidade – contemporâneos, que esbanjam charme. E dá certo.
Outros indicados: Colin Firth (A Single Man), Morgan Freeman (Invictus), Jeff Bridges (Crazy Heart), Tobey Maguire (Entre Irmãos)

Melhor Atriz  - Drama: Carey Mulligan. Se ao final de Educação você não achar a Jenny de Carey Mulligan adorável, interne-se. E nem é esse seu maior objetivo. É mostrar uma jovem na Inglaterra dos anos 60 descobrindo a vida, crescendo, amadurecendo. Carey vai além, e constrói uma personagem frágil, vulnerável, mas muito rica. Não vi The Last Station, mas não tenho dúvidas de que Helen Mirren mereça a indicação.
Outros indicados: Emily Blunt (A Jovem Vitória), Sandra Bullock (O Lado Cego), Helen Mirren (The Last Station), Gabourey ‘Gabby’ Sidibe (Preciosa)

Melhor Ator Coadjuvante: Christoph Waltz. Eu não sei você, mas eu não conhecia o Chris (sabe como é, somos íntimos), mas, mesmo com o elenco ótimo que povoa Bastardos Inglórios, ele é o que se destaca. Fala fluentemente em três ou quatro línguas, sabe ser irritante e amedrontar ao mesmo tempo. Não é o seu típico vilão, e é disso que faz dele tão brilhante.
Outros indicados: Matt Damon (Invictus), Woody Harrelson (The Messenger), Christopher Plummer (The Last Station), Stanley Tucci (Um Olhar do Paraíso)

Melhor Atriz Coadjuvante: Mo’Nique. A principal é Gabourey Sidibe, mas é Mo’Nique se se sobressai de verdade. A força de sua performance me surpreendeu. Talvez o filme não mereça outros prêmios, mas este é claramente seu. E pensar que eu vi o filme só por causa do Lenny Kravitz. Anna Kendrick, por outro lado, nem deveria estar nessa categoria – ela não faz nada demais em Up in the Air.
Outros indicados: Penélope Cruz (Nine), Vera Farmiga (Amor Sem Escalas), Anna Kendrick (Amor Sem Escalas), Julianne Moore (A Single Man).

Melhor Diretor: Jason Reitman. Seria muito fácil dizer ‘James Cameron’, só pelo brilhantismo no uso de tecnologias tão promissoras. Mas Reitman, que já encantou com Obrigado por Fumar e Juno, voltou com um filme coeso, conciso, que te faz se encantar por Ryan Bingham mesmo que a princípio ele não tenha nada a oferecer. E, acredite, o crédito não é todo de George Clooney.
Outros indicados: Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror), James Cameron (Avatar), Clint Eastwood (Invictus), Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios)

Outros queridinhos: Up!, Distrito 9, The Messenger, Abraços Partidos.

Melhor Série – Drama: Dexter. Assisto 4 das 5 indicadas, e não tenho a menor dúvida de que Dexter foi a melhor em 2009. Foi brilhante, genial a quarta temporada da série. Se recuperando de uma terceira temporada morna, a série do serial killer de Miami foi tensa na medida certa, inovadora, surpreendente.  A dose de adrenalina em cada episódio era altíssima. O mérito, pra ser justa, é parte de John Lithgow, o melhor ator convidado que vi em muito tempo.
Outras indicadas: Big Love, House M.D.,  Mad Men, True Blood

Melhor Série – Musical ou Comédia: Modern Family. Não assisto Entourage nem Glee. Gosto muito de The Office e 30 Rock, mas em 2009 foi mais do mesmo. Nem vejo tudo isso que as pessoas veem em Modern Family, mas é inegavelmente divertida. É justamente o que eu procurava em uma comédia.
Outras indicadas: Glee, Entourage, The Office, 30 Rock

Melhor Ator – Drama: Michael C. Hall. Hall não melhorou de uma temporada pra outra: ele sempre foi brilhante. Pra fugir do lugar comum e premiar Hugh Laurie (que eu adoro, mas ele já ganhou algumas vezes!), daria a estatueta pro Mike. Ele merece desde Six Feet Under, já é sua quarta indicação por Dexter e nada até agora. Só uma pergunta: cadê Bryan Cranston?
Outros indicados: Simon Baker (The Mentalist), Jon Hamm (Mad Men), Hugh Laurie (House), Bill Paxton (Big Love)

Melhor Atriz – Drama: January Jones. A Betty Draper de January Jones teve poucos grandes momentos, daqueles que rendem prêmios. Mas sua personagem tem uma sutileza marcante, que não precisa gritar ou chorar pra se destacar. Além do mais, vejo True Blood mas não acho Anna Paquin tão boa assim, e não assisto as outras séries.
Outras indicadas: Glenn Close (Damages), Julianna Margulies (The Good Wife), Anna Paquin (True Blood), Kyra Sedgewick (The Closer)

Melhor Ator – Musical ou Comédia: Steve Carell. Michael Scott é o tipo de personagem que você acha que não consegue ser mais estúpido, e então ele faz  a coisa mais estúpida possível. E Steve consegue fazer isso em quase todo episódio, sem escrachar, respeitando o “realismo” do personagem. Cá pra nós, Alec Baldwin já ganhou prêmios demais por uma performance que não evolui tanto assim.
Outros indicados: Alec Baldwin (30 Rock), David Duchovny (Californication), Thomas Jane (Hung), Matthew Morrison (Glee)

Melhor Atriz – Musical ou Comédia: Edie Falco. Só vejo Nurse Jackie e 30 Rock, e seria muito clichê dar o prêmio à Tina Fey de novo! A última palavra que usaria para descrever Jackie seria ‘engraçada’, mas pelo menos, ao estar nessa categoria, Edie Falco não tem de enfrentar uma Glenn Close ou uma Kyra Sedgewick da vida. A verdade é que Falco está impecável como a enfermeira adúltera e viciada em pílulas. Comparem com House o quanto quiserem, isso não muda o fato de que Edie apresentou a melhor nova personagem da TV esse ano.
Outras indicadas: Toni Collette (United States of Tara), Tina Fey (30 Rock), Lea Michele (Glee), Courteney Cox (Cougar Town)

Foi um ano riquíssimo em filmes e séries. Tomara que 2010 seja ainda melhor. E que venha domingo!

January 16, 2010   6 Comentários

Etiqueta no cinema

Digamos que comportar-se bem em locais públicos é questão de bom senso. Isto é, importar-se não só com o seu conforto, mas com o conforto e o espaço do próximo. É claro que, como já foi dito aqui, bom senso não é pra todo mundo. Sempre haverá aquele que vai te dar um encontrão e não pedirá desculpas, que fumará e jogará a fumaça na sua cara, que deixará o celular ligado na igreja (e atenderá se ele tocar).

O que muitos não percebem é que a sala de cinema também é uma espécie de local sagrado. É o ambiente escuro para onde as pessoas vão para fugir do seu mundo, viver a fantasia. Considerando que dificilmente você conseguirá uma sala de cinema exclusivamente sua, completamente vazia, é sempre bom lembrar que mesmo suas menores atitudes podem incomodar o vizinho.

Veja a alimentação, por exemplo. É inevitável comer no cinema. A bombonière tem todo tipo de delícias, sem falar na boa e velha pipoca, cujo cheiro já hipnotiza logo na chegada. A pipoca, mesmo que crocante ao máximo, não faz tanto barulho quanto um pacote de batatas onduladas, por exemplo. O simples ato de desembrulhar um bombom ou bala podem incomodar quem está próximo do comilão – isto é, se ele fizer isso durante toda a projeção. Se você precisa, desesperadamente, comer aquele Serenata de Amor, que tal esperar uma cena com bastante ação?

Fumar, você já sabe, é proibido. Mas uma convenção social que ainda não pegou é o desligamento do celular. Se não quiser desligá-lo, ao menos coloque-o no silencioso. Ninguém quer ouvir seu toque das Pussycat Dolls enquanto o mocinho salva a mocinha (ou em qualquer outra cena), fikdik. Se, por algum motivo, um filho da mãe alguém decidir ligar pra você na hora do filme e você não puder, de forma alguma, recusar a ligação, não tente falar baixinho. Até um sussurro no cinema faz diferença. Se possível, levante-se e atenda fora da sala. Mas evite se levantar toda hora, por motivos óbvios. Se acha que vai ficar com sede ou vontade de ir ao banheiro durante o filme, tente comprar a água antes de entrar pra sala e ir ao banheiro antes de se assentar. E, ainda nesse tópico, evite chegar atrasado.

O que também pode não ser muito agradável é o namoro excessivo na hora do filme. Não, não é porque eu tenho ido ao cinema sozinha, já que meu namorado ainda mora em Minas. Pense bem: nem todo beijo é silencioso e, dependendo de até onde for o namoro, outros barulhos virão, se é que você me entende. Até porque é uma questão de respeito: na maioria dos casos, há pessoas de todas as idades na sala – incluindo aquelas jovens demais e velhas demais para ver seus amassos. Preste atenção no filme (os ingressos estão cada vez mais caros, não desperdice!) e vá namorar no quarto, no carro, na casinha de sapê.

A regra de ouro, porém, é nunca, jamais chutar a cadeira da frente. Isso pode, sem exageros, estragar a ida ao cinema de quem tem a cadeira chutada, balançada ou violada de qualquer forma. A maioria das salas (pelo menos as que eu conheço) tem um espaço decente entre as fileiras de assentos, mesmo que as cadeiras sejam reclináveis. Na sessão de Avatar em que estive, ocasião em que pessoas assistiram as quase 3h de filme em pé (sim, até as escadas já estavam tomadas, não possibilitando a troca de lugar), um filho da mãe infeliz atrás de mim teve a brilhante ideia de apoiar os pés na minha poltrona. Eu, boba tímida que sou, não consegui abrir a boca para reclamar. O máximo que fiz foi olhar para trás ameaçadoramente. Não surtiu efeito, é claro. Decidi então reclinar mais e mais. A posição ficou incômoda, mas eu não desisti, e fiquei assim até o final, com a poltrona balançando (ele gostava de balançar as pernas, é claro).

Me desculpe se você é, como eu, um anjo no cinema. Você não precisava ler isso. Mas muita gente – mais do que você imagina – precisa. Você, cinéfilo, que paga caro pra ver em primeira mão as novidades da sétima arte, se faça ouvir. Vamos dizer ao mundo que, se preferem conversar o filme inteiro ou dar tapas na careca dos outros, que fiquem em casa, assistindo Tela Quente. Combinado?

January 13, 2010   8 Comentários

A guerra no cinema

Essa semana assisti Guerra ao Terror. Admito que o filme, lançado diretamente em DVD há quase um ano (e que só agora vai ganhar lançamento em cinemas), não chamou muito minha atenção, e só assisti pelo fato de estar na atual award season recebendo todo tipo de indicações aos prêmios mais prestigiados. Com tanta pompa, minhas expectativas foram, inclusive, maiores do que o filme oferece, que deixou um quê de que “balado além do merecido” no fim. É um bom filme, mas que se repete e em certas ocasiões (que não justificam os 131 minutos).

O que Guerra ao Terror tem de melhor é a diretora. Sim, uma mulher. Kathryn Bigelow dirigiu muito bem num gênero dominado por homens (como se eles não dominassem todos os outros!). Aí está o mérito. Deve levar pelo menos algum dos prêmios a que o filme está indicado.

Mas fiquei pensando no que o filme representa. Ou melhor, em como as guerras no Afeganistão e no Iraque tem sido retratadas no cinema. É que gosto muito do gênero. Curto documentários sobre a Segunda Guerra Mundial, e muitos dos filmes com a temática me agradam, como O Pianista e Apocalypse Now. Muitos dos novos filmes que envolvem guerras, porém, tratam dos conflitos atuais, o que faz sentido. Muitos deles lidam com o que se passa na mente de quem vê o conflito com os próprios olhos – seja no Oriente Médio, seja após voltar pra casa. Não há como negar que o sujeito que matou, quase morreu e viu os amigos ficarem pelo meio do caminho rende uma história com um belo arco. E assim surgiram Soldado Anônimo (do meu diretor preferido, Sam Mendes, e pouco valorizado), Stop Loss, No Vale das Sombras, O Reino e tantos outros.

E virão mais. Não porque são lucrativos, porque não o são. Parece que os americanos não querem pagar para ver algo que veem todos os dias na televisão. Mas é natural que um conflito que gera tantas perguntas e poucas respostas estimule a imaginação dos roteiristas. Se é que há um lado positivo nessa história toda, é que até o momento tem rendido alguns dos melhores dramas que vemos hoje. E mesmo que o entretenimento dos americanos, neste caso, seja às custas do sofrimento dos marines, pelo menos tais filmes os ajudam a compreender porque alguns desses homens são chamados de heróis.

January 10, 2010   3 Comentários

  • Comentários Recentes

    • Luis Eduardo: Ônibus é estressante, mas exerce cerca de 50% da inspiração diária que eu uso pra viver. É cada coisa!
    • Sandra: Não faço o estilo aventureira, rs, mas as fotos são lindas e o contato direto com a natureza é algo incrível...
    • caru: Nossa é realmente revoltante as causas bestas de uma tragédia como essa.O carro no lugar errado o motoqueiro...
    • Alexandre: Motoqueiro é uma coisa, MOTOCICLISTA é outra completamente diferente !
    • Ágda: Pelo menos com os capacetes se tem alguma atenção. Quanto as calçadas só depois que os lojistas reclamaram é...